"A vida cristã não é resultado da escolha do cristão, e sim sua resposta ao fato de que Deus o escolheu" (James M. Houston)

sábado, 29 de junho de 2013

CONGREGAR



“Não deixemos de reunir-nos como igreja,
segundo o costume de alguns, mas procuremos
encorajar-nos uns aos outros, ainda mais
quando vocês veem que se aproxima o Dia”
(Hb 10.25 - NVI)

As citações desenfreadas e na sua maioria equivocadas do texto acima exposto, me instigam a tecer alguns comentários sobre o “congregar”.  Alguns se utilizam deste versículo para “exortar” (encher o saco) de pessoas que optaram por não compactuar das mesmas atividades religiosas praticadas por eles.
Não são poucos os que associam o “congregar” com a frequência sistemática de um local, que a maioria chama de igreja, fato que os leva a considerar “desviados”, “sem igreja”, “rebeldes”, “insubmissos”, etc; aqueles que não fazem parte de instituições religiosas, nem frequentam reuniões litúrgicas. Isto se dá pela falta de entendimento do real significado da igreja (questão que trataremos com maior profundidade em outra oportunidade).
Por hora nos deteremos numa abordagem clara e pratica do texto acima destacado. Tomando-o como base, poderemos ter um entendimento que torne mais contundente o “congregar-nos como igreja”.

“Não deixemos de reunir-nos ... segundo o costume de alguns”. Congregar é apenas nos reunirmos como igreja. Isto significa estarmos juntos com outras pessoas, compartilhando vida por meio da oração, comunhão e palavra (At 2.42). Observando as palavras de Jesus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, estarei no meio deles”.  Estar reunido sob seu nome aponta para a centralidade nos evangelhos, seus ensinamentos e praticas. Não se trata do mero uso do nome de Jesus, numa fachada ou em slogans e frases de efeitos com é comum em muitos locais e ajuntamentos religiosos.
O escritor aos Hebreus nos adverte a respeito de muitos terem o costume de não se reunirem como igreja. Esta é uma clara demonstração de total desconhecimento da verdade do evangelho de Jesus. Quem age assim, se coloca na contramão da edificação pessoal e mutua, dando claros sinais de sua não identificação com o Senhor da Igreja. Fica evidente que esta só pode ser uma inclinação natural daqueles que ainda não compreenderam, e outros que jamais compreenderão o chamado da graça.
Os filhos de Deus não devem se deixar levar pelo exclusivismo ou isolamento. Não há expressão do ser igreja no isolamento premeditado. Eles são impulsionados pelo Espírito Santo, que os aproxima uns dos outros na convivência e proclamação do evangelho.

“... como igreja...”. Está claro que nem toda reunião de pessoas expressa o verdadeiro significado de igreja, mas toda expressão da igreja implica no coletivo, seja em encontros frequentes ou em outras manifestações. A ecclesia não depende das prerrogativas institucionais com nomenclaturas, hierarquias e liturgias; trata-se apenas da reunião de pessoas com objetivo de adorar ao Senhor, com liberdade e simplicidade.
Reuni-se “como igreja” não se relaciona com a frequência sistemática a um determinado local, ainda mais quando o mesmo é chamado de “igreja”. O que realmente importa é o encontro, as pessoas (igreja), a edificação mutua por meio da palavra, oração e comunhão.
Quando nos reunimos como igreja o Senhor se manifesta na coletividade por meio dos dons, conforme nos instrui Pedro: “Cada um exerça o do que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas” (1 Pe 4.10 - NVI). A verdadeira igreja inspira a participação de todos, contrariando aqueles que se assentam a espera  que alguns poucos tenham o controle das reuniões, exercendo domínio impróprio. Recordemos as palavras de Paulo: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” (1 Co 14.26).

“Mas procuremos encorajar-nos uns aos outros”. Aqui está uma das maiores bênçãos decorrentes da vida comunitária do corpo de Cristo. Na caminhada com outros irmãos somos encorajados e encorajamos, fortalecidos e fortalecemos, ajudamos a levantar e somos levantados quando caímos.
Olhando por este ângulo, podemos concluir que aos nos reunirmos como igreja, somos os maiores favorecidos. Deus não precisa dos nossos ajuntamentos, mas nós necessitamos dele e uns dos outros. Neste sentido, deixar de “congregar” nos torna  mais vulneráveis ante as muitas lutas que enfrentamos diariamente.
Na falsa ideia proposta pelo congregar institucional, onde a montagem é teatral e truncada, há pouquíssima ou quase nenhuma abertura para o pleno exercício da mutualidade e encorajamento uns dos outros. Se não houver verdadeira convivência entre os irmãos, dificilmente desfrutaremos do pleno exercício dos dons. Se as reuniões forem liturgicamente “corretas” provavelmente serão incorretas do ponto de vista do engajamento e encorajamento proposto pelo evangelho.
Com é bom adorar a Deus juntamente com pessoas que se colocam ao nosso lado como “amigos mais chegados que irmãos”. Por meio de todos Deus manifesta sua graça, e assim seguimos o conselho paulino: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor” (Ef 4.2 – NVI). 
                                    
“Ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia” . Dentre os muitos sinais bíblicos do final dos tempos, um dos mais relacionados com o viver congregacional é o “esfriamento do amor” (Mt 24.12). Segundo Jesus isso se daria principalmente “Devido o aumento da maldade”. A maldade reprime a manifestação do amor, e a tal esfriamento nos afasta uns dos outros. Por esta razão devemos redobrar nossa atenção, e dar o devido valor ao “congregar como igreja”.
Quanto mais caminhamos como discípulos de Jesus, mais nos aproximamos da consumação de todas as coisas. Tempo no qual o Senhor se manifestará para receber os eleitos e entregá-los ao Pai. Tal jornada deve ser marcada pela comunhão entre os irmãos na promoção da edificação uns dos outros, para a firme perseverança até “o Dia”.

Aos eleitos, unidos à Igreja de Jesus Cristo, e por sua graça e misericórdia ligados uns aos outros em comunhão.

Riva






sexta-feira, 7 de junho de 2013

O FOCO DA ORAÇÃO DE JESUS (João 17)





      Uma das maiores evidencias do conhecimento e comunhão com Deus é a maneira como nos manifestamos por meio da oração. Jesus durante sua caminhada terrena, manteve-se focado na pessoa e planos do Pai. Isso se manifestava de varias maneiras, inclusive por meio de suas orações.
      Na narrativa de João 17, vemos Jesus orando com base nos fundamentos do plano divino para sua missão. Assim como em outros momentos, ele não destoa daquilo que Deus o havia confiado, e faz questão de priorizar isso, como foco principal de sua intercessão. Lendo o texto calmamente, e relacionando-o com outras passagens dos evangelhos, encontraremos verdades como:
  1. Primeiramente ele confirma que o Pai lhe deu autoridade sobre toda humanidade, e com base na mesma, concede vida eterna: “... para que conceda vida eterna a todos os que lhe deste” (v. 2). Jesus vivia com base na soberania divina, e se submetia plenamente àquilo que a mesma havia confiado em suas mãos (ver Jo 6.37-65).
Temos aqui a afirmação da doutrina bíblica da expiação limitada. Afirmando que a obra redentora de Cristo teve como alvo apenas “aqueles que o Pai lhe deu” (eleitos), e não todos no sentido de humanidade. Embora esta questão estivesse muito clara, Jesus ele não deixava de se relacionar com todas as pessoas, e anunciar as boas novas às mesmas.
O Filho de Deus não se deixava levar pelos desejos dos homens, nem orava no sentido oposto ao plano divino. Ele sabia qual era o foco de sua missão terrena. Deus lhe deu “toda autoridade nos céus e na terra” (Mt 28.18), e isto incluía salvar da ira divina, apenas aqueles que havia recebido do Pai (Jo 6.39).
  1. Embora Jesus tenha proclamado as boas novas a todas as pessoas que se aproximavam para ouvi-Lo, revelou o nome do Pai, apenas “àqueles que do mundo o Pai lhe deu” (v. 6). Os eleitos são iluminados pelo Espírito para entenderem a mensagem do evangelho. Todos podem e devem ouvir, mas a missão de Jesus é revelar a vontade de Deus aos eleitos.
A maneira com os escolhidos pelo Pai compreende o evangelho não pode ser mensurada a partir de argumentos meramente racionais (ainda que seja plenamente possível explicá-la). Trata-se de uma obra gerada pelo Espírito no coração daqueles que não poderão resistir a graça divina. Ao ouvirem a Palavra, brota-lhes a fé salvadora, e esta produz arrependimento e conversão ao caminho do evangelho (ver At 2.37-41).
Devemos seguir o exemplo de Jesus, anunciando o evangelho às pessoas, como parte da nossa missão. Todavia, devemos fazê-lo, sem a pressão por “resultados” (números), pois o convencimento é obra divina, e Ele opera como e quando lhe apraz, a fim de alcançar seus escolhidos.
  1. Na oração, Jesus também demonstra  cuidado com aqueles que o Pai confiou em suas mãos (v. 9). Sua intercessão é direcionada aos discípulos e àqueles (eleitos) que creriam por meio da pregação dos mesmos (v. 20).
Dos cerca de três anos de intensa missão, Jesus aplicou aproximadamente um ano e meio em torno dos doze. Eles eram prioridade na caminhada do Mestre. Este é o verdadeiro discipulado e cuidado, desenvolvidos na caminhada juntos.
A intercessão é um ponto importante na vida dos filhos de Deus, pois através dela demonstramos sujeição à vontade divina, e nossa busca por compreendê-la melhor. Orar pelas pessoas que conhecem ou conhecerão o evangelho é orar de acordo o plano redentor revelado por meio da vida e mensagem de Jesus.
  1. Finalmente, João mostra como Jesus prestou contas ao Pai: “Nenhum daqueles (que me destes) se perdeu” (v. 12). Manifesta-se aqui o “bom Pastor”, aquele que “dá sua vida pelas ovelhas” (ver Jo 10). Sob seus cuidados, todos os eleitos (ovelhas) de Deus são guardados e apresentados a Deus.
Diante disso, pensar na “possibilidade” de perda de salvação é negar questões como: a livre e soberana vontade divina em escolher os eleitos, a eficácia permanente do sacrifício de Jesus sobre aqueles pelos quais ele morreu e ressuscitou e a fidelidade daquele que afirmou cuidar dos que lhe foram confiados.
Ao contrario do que pensam os desinformados, o viver fundamentado na perseverança dos santos não credencia os eleitos a viverem de modo libertino, mas ao quebrantamento e apego a graça divina. Somos santificados pelo Espírito, e não pelos nossos próprios esforços. Na verdade, se dependêssemos de nós mesmos, jamais seriamos salvos da ira divina. Todavia, alcançados pela graça, nos tornamos gratos e o Espírito Santo nos guia no caminho da obediência.
Com a mesma lucidez que afirma a perseverança dos santos, Jesus também destaca: “... a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura”  (v. 12). Não há como esconder que a eleição de uns, implica na não eleição de outros (ver Rm 10-23). A exemplo de Judas, todos os homens cumprem o propósito divino na história, mas isto não significa que todos eles serão salvos. Aqueles que não foram eleitos antes da fundação do mundo seguirão o curso natural da vida, desprovidos da graça divina.
O caminho do evangelho de Jesus é estreito. Andar nele implica em sujeição à graça e misericórdia do Senhor, pois somente assim seremos verdadeiramente seus discípulos e demonstraremos na pratica que somos eleitos de Deus, e não meros seguidores de determinadas doutrinas ou instituições.
Os olhos dos discípulos de Jesus devem permanecer focados naquilo que o Mestre focou. São estas coisas que devem pautar nossos passos, e não os nossos desejos carnais. O desafio é grande, mas, lembremo-nos: sobre nós repousa a graça divina. Ela nos basta!

Riva                                                                                                                                                                                                                   

      

terça-feira, 28 de maio de 2013

“Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas
Ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.26, 27)

Na busca pela compreensão da verdade divina a partir da Sua soberana vontade, nos deparamos com a doutrina bíblica da eleição (ver Ef 1.4; Rm 8.28,29; Jo 6.44, 65). Deus, em sua livre vontade, escolheu alguns dentre todos os homens que estavam “mortos em seus delitos e pecados” (Ef 2.1-5), para serem salvos de sua ira.
Jesus chama tais escolhidos de: “minhas ovelhas” (Jo 10.27), “aqueles que o Pai me dá” (Jo 6.37). E também afirma que: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo 6.44). Nenhum outro entendeu e ensinou melhor os pressupostos da eleição, do que o próprio Filho de Deus. Paulo, Calvino e o demais defensores da mesma, foram apenas fieis aos ensinos do Mestre.
Por quê a maioria das pessoas são tão avessas a doutrina bíblica da eleição? Em busca de respostas claras devemos nos reportar aos seguintes pontos:
Um dos principais motivos (se não o maior) para tal aversão é o fato de os pecadores (todos os homens) não reconhecerem seu estado de total depravação e morte espiritual (ver Rm 3.9-18). Por esta razão, erroneamente se acham merecedores do amor divino. Todavia, a manifestação do mesmo é fruto da livre e soberana manifestação da graça e misericórdia divina, e não dos desejos humanos. 
A Bíblia nos mostra que apenas os eleitos são quebrantados e se arrependem de seus pecados, pois o Espírito que neles habita os convence da total miséria e necessidade da misericórdia divina. Estes são aqueles que o “Pai entrega aos cuidados de Jesus” (ver Jo 6.37), a fim de que o Supremo pastor os guarde até o fim.
Outro elemento comprobatório da aversão à doutrina da eleição dos santos é a incompreensão da soberania divina. Embora a maioria dos denominados cristãos afirmem que Deus é soberano, na pratica se verifica o contrario. Julgam tal domínio apenas para questões que lhes agrade, como por exemplo: cuidado, amor, proteção, poder; mas, resistem ao fato de Deus ser soberano para ter escolhido aqueles que ele mesmo quis (Ef 1.4). Para estas pessoas, tal escolha seria injusta. 
Convém perguntarmos: o que seria justo para aqueles (todos) que pecaram e foram destituídos da gloria de Deus? Não seria a condenação eterna? De fato seria! Mas Deus por seu amor e misericórdia decidiu salvar alguns (ver Ef 2.1-8).
A soberania divina é fundamental para a compreensão da doutrina bíblica e o desenvolvimento de praticas saudáveis e relevantes em qualquer época ou cultura.
Há também aqueles que se fecham à doutrina da eleição, pelo simples fato de acharem que a mesma seja uma porta para o viver desregrado. Tais pessoas fazem mau uso da expressão: “Uma vez salvo, salvo para sempre”. Desconhecendo os fundamentos, e os resultados da salvação pela graça, permanecem apegados ao engano do livre arbítrio.
Os eleitos, salvos pela graça e misericórdia divina, buscam um viver embasado na Palavra de Deus e seus ensinos. Compreendem o alto grau de responsabilidade que lhes é devido, demonstrando “frutos dignos de arrependimento”. Ao contrario de ser uma porta aberta para o liberalismo, a salvação pela graça nos chama à sujeição ao Senhor (ver Gl 5.1, 13).
Por fim, destaco os inúmeros equívocos causados pelos falsos ensinos, infelizmente seguidos pela maioria dos evangélicos. Crenças que colocam o homem como personagem central, a ponto de asseverar que o mesmo é capaz de escolher entre “aceitar” ou “rejeitar” a salvação; como se isso lhe fosse possível. 
Faz-se necessário salientar que a doutrina do livre arbítrio, lançada por Pelágio (monge britânico – 350-423), foi veementemente combatida por Agostinho, e consequentemente reputada como heresia, no século IV. Ainda assim, anos depois surgiu Arminius, cobatendo os ensinos de Calvino, e ressuscitando as heresias de Pelágio. 
Infelizmente a maioria dos que afirmam ser arminianos, desconhecem a história e seguem desprovidos de sólida fundamentação bíblica. 
Voltemo-nos à busca pela verdadeira base para darmos passos firmes na caminhada de fé e adoração ao Senhor. Isso demandará um serio retorno as Escrituras, e aplicação ao estudo da História da Igreja. Neste sentido, os ensinos de Jesus e de Paulo, são importantíssimos, pois ambos nos revelam com maestria a vontade soberana do Senhor.
A eleição é apenas um dos pontos das chamadas doutrinas da graça. Um entendimento mais amplo exigirá um esforço da nossa parte, no sentido de conhecermos as demais temáticas. Espero apresentar novas contribuições nos próximos escritos.

Riva Santos

segunda-feira, 20 de maio de 2013

OUVIR



Este é o meu filho amado em quem me agrado. Ouçam-no! (Mt 17.5)

Uma das principais características de um autentico filho de Deus é a sua inclinação para ouvi-Lo. Jesus afirmou que suas ovelhas “... ouvem a sua voz... ” (Jo 10.3). No mesmo texto de João 10, ele também desta que elas (suas “ovelhas”) “nunca seguirão um estranho; na verdade fugirão dele, porque não reconhecem a voz de estranhos (v.4).
Acredito ser oportuna tal reflexão, pois vivemos numa época onde a comunição é uma das principais estratégias de propagação de informações e influencia sobre as pessoas. Sendo assim, é de fundamental importância sabermos a quem ouvir, pois nossas palavras e ações serão frutos das informações corretas ou distorcidas que estivermos absorvendo.
Naquele momento de grande gloria, diante da transfiguração de Jesus; Deus se manifestou como o Pai que afirma o filho, deixando uma orientação clara para os três discípulos: “Ouçam-no!” É evidente que tal afirmação deve ser levada a serio por todos os eleitos, afinal, não nos compete outra coisa a não ser obedecermos a sua voz. Quem é nascido de Deus se compraz e ouvi-Lo. Consideremos alguns pontos que podem nos auxiliar na desafiadora tarefa de ouvir a “voz do Senhor” e andar segundo Ele nos propõe.
1.       Como o próprio Jesus afirmou: “... elas (“ovelhas”) conhecem a sua voz...” (Jo 10.4). Ninguém conhece a voz do Senhor a menos que seja por ele conhecido. Isto significa dizer que tal realidade decorre do novo nascimento, e que apenas os eleitos de Deus, regenerados por seu amor e misericórdia poderão ouvir e discerni o que ele diz e porque diz. Trata-se de um aspecto inerente à relação Pai e filhos. Algo que se desenvolve na caminhada diária e no desenvolvimento de uma relação estreita e saudável, pautada pelo devido embasamento na doutrina bíblica.
2.       Seguindo a ordem divina, devemos analisar os principais temas a luz dos ensinamentos de Jesus. Essa é a principal maneira de ouvi-Lo. Seus ensinos são fundamentais para um viver pautado pela adoração sincera ao Pai e uma caminha digna do discipulado cristão. Devemos observar, por exemplo, o que os ensinamentos do Mestre revelam  sobre questões como: adoração, igreja, comunhão, contribuições materiais, amor ao próximo, proclamação do evangelho, e tantas outras.
À medida que nos envolvemos com questões de caráter religioso é comum assumirmos posturas, falas e ideias; sem antes as avaliarmos com base nos ensinos de Jesus. Tal inclinação nos torna muito mais vulnerável diante de praticas que não sejam reflexo daquilo que corresponde a andarmos em sintonia com: “Ouçam-no”!  Nenhuma outra voz, ensino ou influencia pode ser mais atraente do que a voz do Supremo Pastor, aquele que dá a sua vida pelas ovelhas.
3.       Convém lembrarmos que a Igreja de Jesus Cristo está fundamentada sobre a “doutrina dos apóstolos” (At 2.42). Compreender os ensinos deixados pelos primeiros seguidores de Cristo é uma das melhores maneiras de darmos ouvidos à Sua voz. Isso demonstra quão importante é o embasamento doutrinário para um caminhar alinhado com o propósito divino. Fugir da solidez doutrinaria é semelhante a construir uma casa sobre a areia.
A falta da doutrina bíblica e as muitas interpretações infundadas tem sido a causa de praticas estranhas ao evangelho de Jesus e a manifestação de inúmeros escândalos. Ouçamos a doutrina bíblica, e a partir dela desenvolvamos praticas simples e transformadoras, próprias dos autênticos filhos de Deus.
4.       Creio que outra maneira saudável de “ouvirmos Jesus” é interagindo com os irmãos da fé. Pessoas que procuram caminhar com base nos ensinos do Mestre. Neste caso, os encontros coletivos são de fundamental importância para a edificação mutua e os constantes ajustes na caminhada.  Cada participante contribui com seus dons, compartilhando e recebendo. Através do compartilhamento coletivo podemos discernir melhor o que Jesus nos ensina com base em sua Palavra, evitando “achismos” e principalmente, praticas desconexas com a verdade divina.
Atentemos para a orientação divina: “Ouçam-no!” Que este apelo nos atraia aos fundamentos da fé bíblica, e nos afaste da falsa espiritualidade baseada nas emoções e tantas manifestações vestidas da roupagem religiosa, mas desprovida do verdadeiro sentido cristão. Voltemo-nos para a comunhão com o Senhor, atentos aos ensinos do Mestre, fundamentados na doutrina dos apóstolos e sem desprezar o viver em comunhão com os irmãos. Assim, a voz do Senhor será muito mais clara e manifesta em nosso viver.


Riva

terça-feira, 7 de maio de 2013

PROCLAMAÇÃO



“Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto...” (Mt 13.8)

A parábola do semeador é um dos textos mais reveladores a respeito da realidade humana ante a proclamação do evangelho. Nela, os vários tipos de “solos”, e a maneira como cada um responde à semeadura, demonstra a reação das pessoas diante da pregação da Palavra de Deus. Fica evidente que a maioria é resiste ou apenas se empolga inicialmente, sem com tudo demonstrar verdadeira sujeição à mensagem (semente) recebida.
Para nossa reflexão, destaco algumas lições que me parece pertinentes à luz do texto desta parábola:
1.       Destaca-se que a mensagem (“semente”) é única. Os diferentes tipos de pessoas (“solos”) não alteram o teor da mensagem. Isso demonstra que o evangelho de Jesus Cristo não varia de acordo com o público alvo. A mesma “semente” deve ser lançada a qualquer pessoa, independentemente de suas especificidades ou contexto de vida. As formas de proclamação podem variar, mas a mensagem é única.
Aqueles que anunciam o evangelho devem estar comprometidos em não aceitar nenhuma proposta de adulteração do mesmo. Na atualidade há muitos “falsos mestres” proclamando outros “evangelhos” (falsas sementes) com roupagem parecida com o autentico. Faz-se necessário estarmos atentos e nos dedicarmos à verdade.
2.       Os “solos” descrevem a maneira como os homens reagem quando a “semente” lhes é lançada. Pelo contexto da parábola percebe-se que a maioria responde de maneira contraria.
É fundamental termos em mente que todo homem é essencialmente pecador, e como tal vive “morto em seus delitos e pecados” (ver Efésios 2.1-8), sendo naturalmente contrario à vontade de Deus. O homem natural não aceita as coisas de Deus, a menos que o próprio Deus o regenere por sua graça e misericórdia. Sem a ação divina todos nós estaríamos fadados a resistirmos a proclamação do evangelho, permanecendo infrutíferos.
3.       O evangelho (“semente”) deve ser anunciado a todos os homens, para que todos possam ouvi-lo. Todavia, nem todos os homens (“solos”) são para o evangelho. Quando compreendemos a doutrina bíblica da eleição dos santos (ver Efésios 1.4; Romanos 8.28, 29). Isto significa que a pregação do evangelho só tem efeito transformador na vida daqueles que Deus por sua soberana vontade escolheu para a salvação. Estes são descritos na parábola como “boa terra” (v. 8).
A semente é a mesma para todos, mas apenas os eleitos são iluminados pelo Espírito Santo, aceitam a mensagem (ver Atos 2.41), se arrependem de seus pecados e passam a viver como novas criaturas.
Nós (“solos”) não temos domínio sobre o evangelho, nem podemos produzir frutos por nós mesmos. A “semente” cai em todos os solos, mas só encontra ambiente propicio para frutificar, na “boa terra”. Apenas o Senhor conhece quem são aqueles que crerão em sua Palavra.
4.       Ao contrario do que erroneamente afirmam certas pessoas, crer nas doutrinas da graça não nos torna inoperantes (relapsos) quanto ao chamado para a evangelização. Os eleitos de Deus atendem ao chamado e anunciam as “boas novas”, tendo em mente o seguinte:
4.1. O evangelho deve ser proclamado a todos os homens, como a “semente” é lançada em todos os solos.
4.2. Devemos conhecer a Palavra (“semente”) que proclamamos, mas jamais conheceremos interiormente as pessoas a quem proclamamos.
4.3. Nossa responsabilidade é anunciar, e o Espírito produzirá os frutos de acordo com a vontade soberano do Senhor. Não nos compete conjecturar acerca dos resultados, muitos menos tentar forjá-los.
4.4. Sempre haverá dois grupos: os que rejeitam e os que aceitam.
5.       Os escolhidos por Deus para receber a Palavra e frutificar, o farão de maneira natural. Produzir bons frutos e glorificar ao Senhor é a razão precípua da eleição. A “boa terra” é preparada para receber a “semente” e proclamá-la a todos os homens. Ela jamais deixará de ser “boa” e produtiva.
Encarar a missão de proclamar as “boas novas” com seriedade e comprometimento implica em estarmos diretamente envolvidos com seu teor cristocentrico. Tal tarefa decorre da escolha divina, e se manifesta por meio da ação do Espírito em nossas vidas. Somos instrumentos em suas mãos para que todos ouçam a pregação do evangelho, e sejam indesculpáveis no dia do juízo.
No mais, sigamos na graça do bom Deus.


Riva Santos


sexta-feira, 3 de maio de 2013

FRUTOS



“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica” (Mt 7.24)


Na ótica do que Jesus ensina no Sermão do Monte, o grande diferencial entre “uma pessoa qualquer” e aquela que realmente adora a Deus e faz sua vontade, é o comprometimento com a prática da Palavra.
A fundamentação e as ações (práticas) decorrentes do ensino bíblico distinguem os verdadeiros dos falsos profetas. Os últimos se apresentam de forma religiosamente “impecável”: “profetizam, expelem demônios e fazem milagres” (Mt 7.22). Tais atitudes facilmente são acatadas e celebradas pelo povo, mas Jesus não se impressiona com as mesmas, e as caracteriza como “praticas iníquas”. Para ele, o que vale é aquele que “faz a vontade do Pai” (Mt 7.21), esse, “entrará no reino dos céus”. 
Portanto, o grande sinal é “ouvir e praticar a palavra”. Neste sentido, “ouvir” é muito mais do que apenas ter acesso (contato) com a palavra. É recebê-la no coração.
Se a pratica bíblica é a grande característica daqueles que agradam a Deus, devemos ter clareza a respeito dos mesmos. Quem são estes que podem “ouvir e praticar” a Palavra? Ao compreendermos a doutrina bíblica da eleição dos santos, entende-se também que esta é uma graça outorgada aos eleitos de Deus. Estes, iluminados pelo Espírito Santo, podem ouvir e entender aquilo que o Senhor lhes ensina por meio da Bíblia. 
Tendo isso em mente, não estranharíamos os frutos danosos, gerados pelos falsos profetas cada vez mais presentes nas tribunas e mídias das instituições religiosas. Na verdade, o que eles praticam, apenas comprova o que Jesus sentenciou: “Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mt 7.16). 
Tomando a Palavra de Deus como base, estejamos atentos a tudo o que é falado e realizado em nome da fé. Assim, identificaremos os frutos de cada um.


Riva

terça-feira, 16 de abril de 2013

“EM SECRETO”



“E seu Pai, que vê o que é feito em secreto, o recompensará” (Mt 6.4)

Interessante observarmos como questões cruciais do dia a dia, são tratadas na perspectiva divina. Sobretudo aquelas que geralmente ganham maior destaque, quando as pessoas tentam demonstram publicamente sua fé. Notemos por exemplo, como Jesus expõe o tema das “esmolas” e a “oração”. Em ambos os casos, o Mestre, difere completamente das praticas adotadas pelos religiosos.
Em relação ao compartilhar doações (“esmolas”), os religiosos faziam questão de demonstrar o que doavam, quanto doavam e como doavam. A princípio, o foco não era o suprimento dos necessitados, mas, a “piedade” dos doadores. Com isto, eles julgavam estar agradando a Deus. Esta é tendência humana. Todavia, Jesus deixou claro que as fanfarrices religiosas não demonstram o verdadeiro espírito da fé cristã. O cristão deve compartilhar de forma anônima: “Quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas...” (Mt 6.2); “... Que sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita” (Mt 6.3).
No caminho do evangelho de Jesus, compartilhar com os necessitados, está longe de ser uma abertura para a proclamação publica ou estratégia de marketing para arrecadação de mais recursos, muito menos justificativa  para quaisquer outras questões. Trata-se apenas da expressão singela do amor cristão, sem nenhuma prerrogativa de barganha ou coisa similar.
Outro tema relevante nessa questão é a abordagem feita por Jesus, sobre o tema da oração. Neste caso, a ênfase é muito maior. Enquanto os religiosos daqueles dias, e os atuais persistem em fazer da oração uma das principais expressões exteriores de sua “fé”, o Mestre ensina o oposto: “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas” (Mt 6.5). Sua proposta foi a não imitação da pratica religiosa, porque o que eles faziam trazia louvores a si próprios e não a Deus.
Jesus nunca tratou a oração como um ato de exibição de poder ou pretensa promoção pessoal. Para ele, oração era intimidade pessoal, descrita numa relação tão estreita quanto a de pai e filho. É um convite ao secreto: “... vá para o seu quarto, feche a porta...” (Mt 6.6), à pessoalidade e ao anonimato. Não há necessidade de gritos, muito menos de se preocupar com o tempo ou com as absurdas listas de pedidos. Basta se achegar a Ele, sabendo que “o Pai vê em secreto”.
O ensino de Jesus simplifica muitas coisas que os religiosos complicam. A religiosidade humana vive tão imersa em valores e praticas triunfalistas, exibicionistas e carnais, a ponto de considerar espiritual, coisas que o evangelho desconsidera. Nesse mundo de tantas instituições, “lideres”, “modelos” e manifestações publicas; as palavras do Sermão do Monte precisam ecoar entre os eleitos de Deus. Não podemos nos curvar àquilo que não expressa genuinidade cristã, muito menos aos ritos e vícios religiosos.
Aceitemos o chamado à simplicidade, caminhando como anônimos, fugindo dos holofotes das instituições religiosas e seus inúmeros apelos. O foco divino é o nosso coração. Ele sabe o que nos motiva, e desconsidera nossas ações, quando o exterior sobrepõe o “secreto”.

Riva